Vereador preso por exigir parte do salário dos assessores confessa crime


O vereador Pastor Amaury (PSD), de Ituiutaba, cidade distante 685 km de Belo horizonte,  confessou para a promotoria do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que exigia e tomava parte dos salários dos assesores de gabinetes.

Ele deu entrada, na madrugada de quinta-feira (25/07), no Presídio Professor Jacy de Assis em Uberlândia. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária de Minas Gerais (Seap-MG).

A reportagem conversou com o advogado de defesa e recebeu nota do presidente da Câmara e do partido.

Segundo o promotor responsável pelo Gaeco, Daniel Marotta Martinez, o vereador pode responder pelo crime de concussão, que é o estelionato cometido pelo servidor público, quando uma das partes exige para si alguma vantagem indevida.

De acordo com as investigações, o parlamentar exigia e tomava parte dos salários dos assessores de gabinete. Os valores totais ainda serão apurados, mas segundo o Gaeco, ele se apossava de pelo menos R$ 4.500 todos os meses, ao exigir parte dos pagamentos dos assessores. Contados os meses desde que assumiu o cargo, ele deve ter juntado aproximadamente R$ 135 mil.

Rivelino Cesar Nogueira, um dos advogados que representa o vereador, disse nesta quarta-feira que “assim que detivermos a inteireza dos fatos, teremos prazer em pronunciarmos a respeito dos mesmos. Podemos adiantar que todo possível está sendo feito para que prevaleça a justiça”.

O presidente da Câmara de Ituiutaba, Francisco Tomaz (PSB), o ‘Chiquinho’, informou que deve viajar ainda nesta quinta-feira para Uberlândia para acompanhar a situação. Em conversa por telefone com a reportagem do MG1, ele adiantou que por enquanto o vereador não perde o cargo.

E disse, ainda, que como estão em pleno recesso parlamentar, se o pastor seguir preso até o dia 2 de agosto, última semana do recesso, ele deve convocar a suplência, que será Meyre Cristina.

Sobre o assunto, a Câmara Municipal também se posicionou, em nota, que “diante de tais fatos o departamento jurídico da Casa aguarda comunicado oficial, para que de posse dessas informações e documentos, possa consultar seu regimento interno e só assim poder adotar um posicionamento baseado na lei”.

Já o presidente do Partido Social Democrático (PSD), Renato Moura, enfatizou que tomou conhecimento sobre a prisão do vereador Pastor Amaury por meio da imprensa e que agora buscará mais esclarecimentos sobre o caso.

A respeito de um suplente que poderá assumir a cadeira no Poder Legislativo no lugar do Pastor Amaury, Renato Moura explicou que aguarda respaldo do presidente da Câmara Municipal de Ituiutaba, que irá analisar o regimento interno da Casa.

Entenda

Conforme as investigações, o vereador cometia a prática desde o início da legislatura, cerca de 30 meses. Ao ser preso, o parlamentar negou as acusações e disse que o dinheiro que encontrado no gabinete seria para pagar despesas da igreja da qual ele faz parte.

No entanto, o promotor Daniel Marotta Martinez, explicou que as provas são contundentes e ao ser confrontado, ele confessou o crime.

“O Gaeco foi procurado há algum tempo atrás por um assessor do Pastor Amaury dizendo que todos os pagamentos que ele recebia tinha que devolver uma parte para o vereador, cerca de 60% do salário. O assessor levou algumas provas contundentes à promotoria, como conversas gravadas com o vereador, conversas por WhasApp, tudo bem documentado”, contou.

Marotta também informou que no dia 22 de julho foi creditado o pagamento dos assessores e, conforme já vinha se repetindo, o vereador exigiu que os funcionários efetuassem a vantagem para ele.

“O assessor realizou o saque do valor que ele deveria entregar [R$ 2.100], fotografou as notas e registrou que faria o pagamento na data de hoje. Imediatamente adentramos o local e apreendeu todo o numerário”, relatou o promotor.

A pena para o crime de concussão varia entre dois e 12 anos de reclusão. No entanto, o promotor lembra que para cada mês e cada funcionário que devolveu parte do salário é creditado um crime diferente. Dessa forma, se contados todos os meses desde que assumiu o cargo, o vereador cometeu pelo menos 90 crimes de concussão, já que os valores eram exigidos mensalmente, além dos valores referentes a 13º salário e férias.

Fonte Zero Hora News