Líder do PP ironiza Meirelles e diz que ele não fez concurso para ser ministro


BRASÍLIA — Em meio à crise na Caixa Econômica Federal (CEF), o líder do PP na Câmara, deputado Arthur Lira (AL), criticou nesta sexta-feira as manifestações do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, contra as indicações políticas. Lira ironizou Meirelles, dizendo que a indicação dele para o cargo também foi política, e afirmou que a postura dele pode atrapalhar na aprovação da reforma da Previdência.

— Meirelles não foi indicado por nenhum Conselho e nem fez concurso para ser ministro da Fazenda, que eu saiba. Ele foi indicado. Ele tem que dar provas concretas de que quer votar a reforma da Previdência, deixar de contestar a política. Sem a política, não se faz nada — disse Lira ao GLOBO, acrescentando: — Quem quer ajudar, não atrapalha.

O deputado lembrou que, antes de tornar-se presidente do Banco Central, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Meirelles foi eleito deputado federal, em 2002.

— A única coisa que ele fez foi campanha a deputado por Goiás e ainda numa cidade que era de Tocantins — ironizou.

O PP é o partido do presidente da Caixa, Gilberto Occhi, e iniciou uma blindagem em torno dele. Lira adotou o discurso de outros aliados de que aqueles que cometerem erros devem ser afastados e sair, e que o assunto se encerra aí, ou seja, que estaria havendo exagero neste processo da CEF.

— A Fazenda e o Banco Central estão na estratégia de tomar a CEF para si e acho que não é por aí. O Occhi é um funcionário da CEF há 40 anos. E se tiverem condutas erradas destes afastados, vão sair — disse o líder do PP.

Os demais partidos também afirmam que as indicações políticas sempre existirão e que apenas haverá mais filtros técnicos, como a decisão desta sexta-feira da CEF de que as nomeações dos dirigentes passem pelo Conselho de Administração do banco, e deixam de ser prerrogativa do presidente da República. O Palácio do Planalto sabe que os partidos querem continuar tendo influência e indicando nomes para os cargos.

Antes mesmo do caso da Caixa, os aliados reclamavam que o ministro da Fazenda já vinha atuando como pré-candidato a presidente em 2018 e que foi responsável por “enterrar” a reforma num primeiro momento, quando afirmava que os brasileiros teriam que trabalhar 49 anos para se aposentar.

Os partidos estão irritados com o que consideram intromissão excessiva do Ministério Público e do Judiciário nas ações de governo. O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), verbalizou isso na quinta-feira, ao reclamar da “interferência brutal” do MP e do Judiciário nas decisões do presidente.

— O presidente teve que afastar porque não queria mais colocar o dedo nestas nomeações. Mas os partidos vão continuar indicando nomes para o governo — resumiu um outro aliado.

O próprio presidente Michel Temer desabafou com aliados em relação à crise da Caixa. Segundo aliados, Temer afirmou que esse cerco poderá afetar a imagem da CEF.

— Ele reclamou que querem satanizar a CEF, desmoralizar as instituições — contou um aliado.

Com informações do O Globo